sábado, 29 de setembro de 2007

Especial

Esta noite tive um sonho,
Senti que a vida fazia sentido
Que tudo se completava sem perguntas nem porquês.
Sentado no meio das nuvens abri os braços,
Senti-me pequeno, minúsculo no universo,
Senti que o medo me abraçava,
E o céu se tornava enorme e vazio.
Vi que não estava só, que tu me acompanhavas,
Que voavas comigo e dentro de mim,
Que afinal as dúvidas existem sempre,
Que as incertezas nos fazem duvidar qual o caminho,
Que tu és parte de quem sou.
Sentado no meio das nuvens abri os braços,
Subi a rodar com os pássaros,
Gritei por me sentir feliz,
Olhei para te ver e saber que sentes comigo.
No meio do nada a sentir as forças do vento,
Nas dúvidas do próximo segundo,
Na certeza de nos sentirmos únicos,
A partilhar o mesmo céu, os mesmos espaços,
Sei que somos especiais,
E sinto-me natural e simples como um amanhecer,
Em que tudo é perfeito.


*Para quando…?

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Vida imperfeita

No gemer de cada guitarra
Cai uma lágrima cansada do meu rosto sombrio.
Pela noite fora arde, baixinho,
A vela que ilumina a minha solidão.
Ao ver-te, triste, arrastada no teu sofrer
Sinto gritar dentro de mim uma voz
Que, com palavras silenciosas,
Oprime o meu viver.
O sentimento fugiu, com medo,
Só perduram as notas soltas pelo ar,
A saudade de um querer antigo,
Que já morreu e está enterrado,
Faz voltar as noites sem sono,
As luas tristonhas,
E a angústia passada.
O tempo fez passar os anos
E tudo ficou velho demais, cansado.
Hoje, quando acordo nas noites de medo e suor,
Só em sonhos loucos te vejo deitada a meu lado.

Solidão

Por vezes,
Quando estou sozinho
No abandono do meu quarto
Na escuridão nua e fria,
Recordo os momentos de ternura
Os beijos de loucura
E penso se não errei.
Se devia ter dado o passo,
E não fugido,
Para longe,
Fechado.
Não sei...
A escuridão aperta
O meu coração fraco e cansado
E faz voltar o sonho
Alto e alado.
E, então, a ferida abre,
A saudade chega,
E a lágrima cai, desolada...
O gosto amargo fica,
Do não feito, do passado
Das quimeras perdidas
Do sonho acabado
Que jaz no chão.
E eu, eu
Fico ali pensando
Se algum dia me levantei
Ou se sempre ali estive
A seu lado.

sábado, 25 de agosto de 2007

Pesadelo

Na nostalgia do viver
Fujo das sombras que me rodeiam,
Sinto o sonho vazio e triste
Caminhar só, no escuro.
A música bate, pesada
Na nostalgia que me invade,
A chuva faz cair as lágrimas,
Tornando em realidade
A água que eu queria ser.
Choro, sozinho, na noite,
Guardiã das minhas esperanças;
A confusão instala-se,
O mundo cai à minha volta
E eu fujo para o abismo,
Escondo-me das perguntas,
Exorcizo os meus medos e anseios
E, numa prece muda,
Rezo baixinho para voltar,
Voltar, mais uma vez, a ser criança.

Um dia talvez...

No oceano do esquecimento
Navega uma vida de duvidas e anseios
Em que se misturam
A procura a esperança e o sonho.

Em tempos presentes e passados
Ansiamos por olhar no fundo
De uns olhos espelhados no nosso entender.

É querer adormecer no amanhã
A pulsação viva e pungente
Do maravilhoso instante do presente.
Em que o corpo anseia por ir mais além,
Mas o receio faz o salto ficar preso no chão.
Quem sabe, talvez, mais logo,
Quando a noite velar sobre nós,
Os dragões fujam, o feitiço se quebre
E o querer se faça real.
Quando a jornada chegar ao fim,
Saberemos então que o esforço foi inútil,
E que as pedras do caminho
Apenas são, agora,
Ilhas de um rio chorado.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

FUGIR PARA REGRESSAR

Ao partir como vento, num dia claro de nevoeiro,
Deixei para trás o tormento das decisões;
Rompi as grades das tuas mãos
E fugi como um louco que se perdeu da razão.
Respirei o ar mais rarefeito e fui rei feito monumento,
Andei em frente e senti o mais além,
Puxei em mim todo o ser,
Andei perdido para me encontrar, vagueando...
Olhei para trás, não me vi, não me reconheci.
Era uma sombra mal definida
Que se escondia no claro para deixar ver o outro lado.
Era um pássaro sem asas que acordava deitado,
E, na noite, adormecia amarrado.
No dia em que parti perdi o mapa do caminho
E selei o meu regresso.
Para poder sacudir o pó dos anos
E ver na lua a lágrima do meu amanhecer.
Fechei os olhos e saltei o mar,
Questionei o tempo, as estrelas e o céu,
Sempre sem parar de procurar,
Mas, talvez, afinal, tudo apenas estivesse
Naquela praia onde, um dia,
Eu me deixei a chorar.

domingo, 12 de agosto de 2007

Sombra desejada

Quantas vezes,
No meio da multidão,
Me viro loucamente, procurando,
Para apenas, de seguida, continuar.
Quantas vezes,
Ao passar por certas ruas,
Sinto o teu perfume sobre mim,
O teu olhar calmo e sereno,
A tua mão, tão terna e segura,
Sinto-te então a meu lado;
Mas na esperança ansiosa em que me volto
Apenas resta a mágoa de te não ver.
Quantas vezes,
Sinto uma estranha sensação
Como se de um ritual antigo se tratasse
Em que o teu ser fosse
Maravilhosamente real.
Fica então o gosto,
A maravilhosa emoção
De te saber para sempre,
Em plena existência,
Viva dentro de mim.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Alquimia Perfeita

Ao virar da esquina
Encontrei-te, por acaso.
Vi nos teus olhos um mundo sem fim,
Uma alegria de sentir.
Um modo de ver, no olhar.
Nesse dia fiquei deitado no teu ser.
Repousei nas tuas mãos.
Deixei ficar em ti o melhor de mim.
Fiquei vazio.
Sem uma gota de só meu.
Tu entraste em mim como eu em ti:
Sem palavras, sem murmúrios.
Bastou um olhar para ser só nós.
O mundo começou a deixar as palavras
Saírem doces dos teus sons.
Nos teus olhos afoguei as lágrimas
Que chorei ao não te ver.
Foste mais que tudo para mim,
Minha sinfonia, meu som,
Minha noite e meu dia.
Sem te ver, via-te sempre,
Num pôr-de-sol, numa poesia,
Em cada canto, em cada esquina.
Foste todo um modo de viver
Todo o meu pensar e filosofia.
Desde então fiquei perdido
Sem saber onde começas ou onde acabo.
Tu foste o meu meio, principio e fim,
Meu romance, minha canção,
Meu poema chorado.
E agora que tudo acabou
Tornei-me um ser perdido
Um homem só
Sem futuro e sem passado.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

(In) Diferença

Olhei em volta do meu destino perdido,
Buscando no horizonte uma imagem de um vulto,
Mas ao Sul perdi o Norte.
Procurei em palavras que, em vão, esgotei.
Busquei em sons que, em vão, espremi.
Tentei alcançar em desejos que, em vão, sonhei.
Em tudo encontrei as marcas do que passou.
Olhei em volta de ti só me vendo a mim,
No teu olhar sedento bebi a minha solidão,
Ás tuas mãos sequiosas cruzei os braços,
As tuas palavras corriam para os meus muros,
Buscavam somente um ouvir, um sentir.
Eu era indiferente, tu, só diferente.
Na diferença vivi o medo de te querer,
Na inconsciência, animal da repulsão,
Na louca insanidade de negar a razão.
Olhos que olhavam com ansiedade.
Mãos que careciam de amparar.
Na diferença reparei, porém, que havia semelhanças,
Em ínfimas igualdades criei as pontes para os rios.
Contigo. Em ti. Por nós.
As janelas são sempre diferentes,
Para quê serem iguais?
O sol passará sempre quente e aconchegante
Sem elas deixarem de ser, talha por talha, gene por gene,
Janelas da alma da mesma casa.
Afinal, no fim de tudo,
No meio deste deserto devastado,
Foste um oásis de repouso,
Um agasalho de calor,
O meu rosto de amor e de amizade.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

O Teu Poema

O TEU POEMA


Quis escrever-te um poema.
Uma musica doce e suave,
Algo que pudesses sussurrar á noitinha,
Quando te deitasses.
Como numa prece muda,
O dissesses numa hora mágica,
E então, os sentimentos ficariam nos lábios,
E o teu coração seria grande, imenso,
Cheio de tudo o que tu és.
Lá escrita queria pôr,
Uma fantástica melodia,
Como aquela que fazes tocar dentro de mim.
Soltar em palavras, soltar as amarras,
E dizer-te todo o conforto, todo o carinho,
Que me invade a alma,
Quando penso em ti.
As palavras fugiram,
Os sentimentos esconderam-se,
Em atalhos que eu perdi, incertos,
E as letras,
Essas perderam a música,
Ficaram manchadas,
Com as lágrimas das saudades de ti!