quarta-feira, 25 de julho de 2007

(In) Diferença

Olhei em volta do meu destino perdido,
Buscando no horizonte uma imagem de um vulto,
Mas ao Sul perdi o Norte.
Procurei em palavras que, em vão, esgotei.
Busquei em sons que, em vão, espremi.
Tentei alcançar em desejos que, em vão, sonhei.
Em tudo encontrei as marcas do que passou.
Olhei em volta de ti só me vendo a mim,
No teu olhar sedento bebi a minha solidão,
Ás tuas mãos sequiosas cruzei os braços,
As tuas palavras corriam para os meus muros,
Buscavam somente um ouvir, um sentir.
Eu era indiferente, tu, só diferente.
Na diferença vivi o medo de te querer,
Na inconsciência, animal da repulsão,
Na louca insanidade de negar a razão.
Olhos que olhavam com ansiedade.
Mãos que careciam de amparar.
Na diferença reparei, porém, que havia semelhanças,
Em ínfimas igualdades criei as pontes para os rios.
Contigo. Em ti. Por nós.
As janelas são sempre diferentes,
Para quê serem iguais?
O sol passará sempre quente e aconchegante
Sem elas deixarem de ser, talha por talha, gene por gene,
Janelas da alma da mesma casa.
Afinal, no fim de tudo,
No meio deste deserto devastado,
Foste um oásis de repouso,
Um agasalho de calor,
O meu rosto de amor e de amizade.