quinta-feira, 26 de junho de 2008

Castelo mágico

No meio do calor da tarde 
Vejo o castelo sentado a divagar no cimo do monte 
A memória corre para outros tempos, outros lugares... 
No centro da nossa cidade, do nosso mundo, 
Falando pela noite dentro sobre nós, sobre tudo, 
Deixando as palavras ganharem vida e moldarem o que somos 
Crescendo sem saber fizemos moldes um do outro 
Em que despejámos o melhor de nós. 

Será que tudo aconteceu? Ou foi só um sonho bom? 

Ao som da rádio com discos pedidos 
Inventámos futuros e construímos um laço inquebrável. 
Fizemos viagens para saltar dos céus 
Dormimos no meio das estrelas de olhos abertos 
No meio do monte, no reino dos pássaros, 
Nunca pensei que um dia fosse o meu modo de ser, 
Voei e descolei pela mão de quem já não voa 
Do meu amigo que ainda faz o sal nos meus olhos. 
No meio das encruzilhadas e dos enganos 
A vida teve a magia de sempre nos reencontrar 
Levou-te ao Norte deixou-me no Sul 
Hoje regresso a caminhar para junto de ti 
Como uma história já contada em que eras figura principal. 
No meio dos cafés trocámos segredos 
No meio das crianças ficámos adultos 

Será que tudo aconteceu? Ou foi só um sonho bom? 

Vejo o castelo a divagar no cimo do monte 
E o sol do entardecer brinca por entre as pedras 
Sussurrando-me ao ouvido que o tempo está parado 
Que tudo é simples e belo sem razões nem porquês 
Que ontem, hoje e amanhã 
Tu és um dos raios de luz da minha vida...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Sofia

No calor simples do sol da manhã
Tu enches tudo o que eu sou,
Deixas-me quente e aconchegado
Como nunca pensei ser possivel.
Pensei que o amor era o que sentia
Agora vejo que era só fantasia.
As lágrimas que molham quando estás longe
O aperto que sinto quando te ris
Tudo no mundo me fala de ti
O teu rosto no sono deixa-me em paz
Afinal, o amor nasceu contigo em mim.

Amo-te naturalmente,
No cheiro da terra depois da chuva
No vento que dá na cara com pingos de sal
Nas gotas de chuva da minha janela
No voo do pássaro de dentro de mim
Em tudo o que sou e um dia serás.
Nunca pensei que fosse assim
Descobrir naturalmente que existes cá dentro
Como algo que nasce sem principio nem fim.

Sei que tu és o melhor que já fiz
E sempre serás o mais puro de mim.

sábado, 29 de setembro de 2007

Especial

Esta noite tive um sonho,
Senti que a vida fazia sentido
Que tudo se completava sem perguntas nem porquês.
Sentado no meio das nuvens abri os braços,
Senti-me pequeno, minúsculo no universo,
Senti que o medo me abraçava,
E o céu se tornava enorme e vazio.
Vi que não estava só, que tu me acompanhavas,
Que voavas comigo e dentro de mim,
Que afinal as dúvidas existem sempre,
Que as incertezas nos fazem duvidar qual o caminho,
Que tu és parte de quem sou.
Sentado no meio das nuvens abri os braços,
Subi a rodar com os pássaros,
Gritei por me sentir feliz,
Olhei para te ver e saber que sentes comigo.
No meio do nada a sentir as forças do vento,
Nas dúvidas do próximo segundo,
Na certeza de nos sentirmos únicos,
A partilhar o mesmo céu, os mesmos espaços,
Sei que somos especiais,
E sinto-me natural e simples como um amanhecer,
Em que tudo é perfeito.


*Para quando…?

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Vida imperfeita

No gemer de cada guitarra
Cai uma lágrima cansada do meu rosto sombrio.
Pela noite fora arde, baixinho,
A vela que ilumina a minha solidão.
Ao ver-te, triste, arrastada no teu sofrer
Sinto gritar dentro de mim uma voz
Que, com palavras silenciosas,
Oprime o meu viver.
O sentimento fugiu, com medo,
Só perduram as notas soltas pelo ar,
A saudade de um querer antigo,
Que já morreu e está enterrado,
Faz voltar as noites sem sono,
As luas tristonhas,
E a angústia passada.
O tempo fez passar os anos
E tudo ficou velho demais, cansado.
Hoje, quando acordo nas noites de medo e suor,
Só em sonhos loucos te vejo deitada a meu lado.

Solidão

Por vezes,
Quando estou sozinho
No abandono do meu quarto
Na escuridão nua e fria,
Recordo os momentos de ternura
Os beijos de loucura
E penso se não errei.
Se devia ter dado o passo,
E não fugido,
Para longe,
Fechado.
Não sei...
A escuridão aperta
O meu coração fraco e cansado
E faz voltar o sonho
Alto e alado.
E, então, a ferida abre,
A saudade chega,
E a lágrima cai, desolada...
O gosto amargo fica,
Do não feito, do passado
Das quimeras perdidas
Do sonho acabado
Que jaz no chão.
E eu, eu
Fico ali pensando
Se algum dia me levantei
Ou se sempre ali estive
A seu lado.

sábado, 25 de agosto de 2007

Pesadelo

Na nostalgia do viver
Fujo das sombras que me rodeiam,
Sinto o sonho vazio e triste
Caminhar só, no escuro.
A música bate, pesada
Na nostalgia que me invade,
A chuva faz cair as lágrimas,
Tornando em realidade
A água que eu queria ser.
Choro, sozinho, na noite,
Guardiã das minhas esperanças;
A confusão instala-se,
O mundo cai à minha volta
E eu fujo para o abismo,
Escondo-me das perguntas,
Exorcizo os meus medos e anseios
E, numa prece muda,
Rezo baixinho para voltar,
Voltar, mais uma vez, a ser criança.

Um dia talvez...

No oceano do esquecimento
Navega uma vida de duvidas e anseios
Em que se misturam
A procura a esperança e o sonho.

Em tempos presentes e passados
Ansiamos por olhar no fundo
De uns olhos espelhados no nosso entender.

É querer adormecer no amanhã
A pulsação viva e pungente
Do maravilhoso instante do presente.
Em que o corpo anseia por ir mais além,
Mas o receio faz o salto ficar preso no chão.
Quem sabe, talvez, mais logo,
Quando a noite velar sobre nós,
Os dragões fujam, o feitiço se quebre
E o querer se faça real.
Quando a jornada chegar ao fim,
Saberemos então que o esforço foi inútil,
E que as pedras do caminho
Apenas são, agora,
Ilhas de um rio chorado.