Ao virar da esquina
Encontrei-te, por acaso.
Vi nos teus olhos um mundo sem fim,
Uma alegria de sentir.
Um modo de ver, no olhar.
Nesse dia fiquei deitado no teu ser.
Repousei nas tuas mãos.
Deixei ficar em ti o melhor de mim.
Fiquei vazio.
Sem uma gota de só meu.
Tu entraste em mim como eu em ti:
Sem palavras, sem murmúrios.
Bastou um olhar para ser só nós.
O mundo começou a deixar as palavras
Saírem doces dos teus sons.
Nos teus olhos afoguei as lágrimas
Que chorei ao não te ver.
Foste mais que tudo para mim,
Minha sinfonia, meu som,
Minha noite e meu dia.
Sem te ver, via-te sempre,
Num pôr-de-sol, numa poesia,
Em cada canto, em cada esquina.
Foste todo um modo de viver
Todo o meu pensar e filosofia.
Desde então fiquei perdido
Sem saber onde começas ou onde acabo.
Tu foste o meu meio, principio e fim,
Meu romance, minha canção,
Meu poema chorado.
E agora que tudo acabou
Tornei-me um ser perdido
Um homem só
Sem futuro e sem passado.