Ao partir como vento, num dia claro de nevoeiro,
Deixei para trás o tormento das decisões;
Rompi as grades das tuas mãos
E fugi como um louco que se perdeu da razão.
Respirei o ar mais rarefeito e fui rei feito monumento,
Andei em frente e senti o mais além,
Puxei em mim todo o ser,
Andei perdido para me encontrar, vagueando...
Olhei para trás, não me vi, não me reconheci.
Era uma sombra mal definida
Que se escondia no claro para deixar ver o outro lado.
Era um pássaro sem asas que acordava deitado,
E, na noite, adormecia amarrado.
No dia em que parti perdi o mapa do caminho
E selei o meu regresso.
Para poder sacudir o pó dos anos
E ver na lua a lágrima do meu amanhecer.
Fechei os olhos e saltei o mar,
Questionei o tempo, as estrelas e o céu,
Sempre sem parar de procurar,
Mas, talvez, afinal, tudo apenas estivesse
Naquela praia onde, um dia,
Eu me deixei a chorar.